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quarta-feira, 19 de março de 2014

História de Paris - Parte 01 : Nascimento de uma capital

Esse é um interessante vídeo, parte um de quatro, que conta de maneira resumida a história de Paris, desde a ocupação dos gauleses, até o final da idade média. É um mini documentário do Arte, um canal metade alemão e metade francês, que é o melhor da grade, especializado em programas educativos de alto nível, Na medida que eu tiver mais tempo vou legendando as outras partes e postando aqui. Para quem se interessa, vale à pena assistir. Espero que gostem.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fontainebleau




Foi muito boa a visita no domingo passado ao impressionante Château de Fontainebleau, na cidade do mesmo nome, há 60 Km de Paris, direção sul. A cidade gira em torno do antigo e gigantesco Château, que tem quase mil anos de história, e foi sendo aumentado gradualmente, à partir de um modesto castelinho medieval, até virar uma espécie de cidadela. Os jardins são espetaculares, para mim a maior atração, e estavam lotados de gente fazendo pic nic, inclusive nós. Para completar, o museu, que exibe relíquias, quadros e mobílias acumuladas ao longo dos anos, neste castelo onde nasceram e viveram muitos reis da França, e o qual Napoleão apelidou a "verdadeira morada dos nobres". Graças ao amor de Bonaparte pelo château, esta é a única propriedade da monarquia que permaneceu intacta até hoje, e não pilhada após a revolução. 


Uma pequena parte dos Jardins, que dão para a Floresta de Fontainebleau


Tiramos o dia para ir, mas valeu muito a pena. A cidade também é linda, e fica colada ao Château, que é tão grande que nem cabe em uma única foto, mesmo panorâmica. Hoje em dia, muitos entusiastas também vão para passar o dia explorando a Floresta de Fontainebleau, uma enorme reserva que oficialmente pertence ao Château. Assim, uma boa parte dos passageiros do trem que vem de Paris descem uma estação antes do Château e vêm andando calmamente pela floresta, completando o passeio nos jardins do palácio. 



Uma das muitas fachadas do château






Detalhe do Museu


A Simpática "ala dos Ministros"

No Museu está exposto o traje mais célebre de Bonaparte (que por sinal era um sujeito muito pequenininho, do tamanho de uma criança), e seu indefectível chapéu com o emblema tricolor, a peça mais cobiçada  da coleção do museu.
Jardim de Diana, um jardin "menor", nos fundos do château


Prédio da prefeitura de Fontainebleau, na av principal da cidade.


Detalhe do lago azul turquesa


(Clique nas fotos se desejar ampliá-las)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Musée des lettres e manuscrits





Nascido de uma iniciativa privada a pouco mais de dois anos o Musée de lettres e manuscrits (museu de cartas e manuscritos) encontra-se discretamente situado entre lojas de grifes famosas no boulevard de Saint- Germain de près, no seio de um imóvel ao estilo Haussmann. E foi por acaso, em um de nossos passeios exploratórios, que encontramos essa valiosa joia da história e literatura do mundo. Foram oito euros muito bem gastos.


No centro da sala uma pirâmide com o "story board" dos Pássaros de Hitchcock

Estar em um museu de cartas e manuscritos nos transporta impreterivelmente para além do mundo das figuras mais fantásticas da história, para além de suas descobertas e invenções, é como se os sentíssemos mais próximos, mais humanos e comuns. É empolgante estar diante do momento da rasura, do rabisco, da dúvida, da hesitação, do nascimento das idéias e da construção da história.


Esboço do Pequeno Príncipe de Sainte-Éxupery

Impossível não se emocionar diante dos desenhos despretensiosamente rabiscados em pedaços de papéis do Pequeno Príncipe de Antoine de Sainte- Éxupery.
Dos manifestos surrealistas de André Breton. 
Das cartas de Dostoiévski durante seu exílio na Sibéria.
Das cartas trocadas entre Sartre e Beauvoir. 
Correspondências de Manet, Monet, Gauguin.
As mais de dez cartas trocadas entre Victor Hugo e Hemingway, de Montesquieu, de Voltaire.
Escritos de Marcel Proust, Baudelaire, Flaubert.
As partituras originais de Mozart, de Bizet, de Chopin, de Bach.
Então boquiaberto você pensa que já viu tudo e se depara com seis desenhos dos primeiros modelos da lâmpada de Thomas Edison, o que seria uma das maiores criações humanas.


protótipos das primeiras lâmpadas de Thomas Edison

Thomas Edison e sua invenção

A seguir, os manuscritos de Darwin e a primeiríssima edição de sua obra maior.
O rascunho de Einstein para a Teoria da Relatividade, rabiscado, cheio de setas e aspas.
A primeira edição do Livro dos sonhos de Sigmund Freud.
Uma carta escrita em código na qual o imperador Napoleão Bonaparte, anuncia a intenção de destruir o Kremlin.
Rascunhos de Kleper, de Newton, de Marie Curie.
Muitos documentos importantes da Revolução Francesa, da Segunda Guerra Mundial, de Hitler, de Stalin, o anúncio do cessar fogo de Eisenhower em 1945.
Até o diário de uma sobrevivente do Titanic.
Enfim, difícil conter-se diante do fascínio que este curioso acervo exerce sobre nós.


O apelo de de Gaulle




Clique nas fotos se quiser ampliá-las

quarta-feira, 27 de março de 2013

Catacumbas de Paris





A história das catacumbas de Paris começam há 45 milhões de anos atrás, quando o norte da França se situava em uma zona tropical, e a cidade de Paris ficava no fundo de um mar quente. Neste mar abundavam formas de vidas pré históricas, moluscos e crustáceos de quase 1 metro de comprimento, cujas cascas eram ricas de minerais. Com o decorrer das eras, o oceano secou, e os sedimentos dos crustáceos se depositaram uns sobre os outros, dando origem, através de milhões de anos, a uma grossa camada petrificada em forma de rocha. No ano 1 da era cristã, os romanos chegaram à Paris, e criaram um povoado chamado de Lutécia. Logo descobriram que no subsolo havia esta rocha excelente para ser talhada. Começaram a edificar uma vila com termas, templos e arena, feitos à base desta pedra, que passou a ser conhecida como "Calcaire de Lutétien".


Espécie marítima que viveu há 45 milhões de anos e é a base da arquitetura parisiense

À partir da idade média, e pelos próximos 1200 anos a cidade de Paris foi sendo construída com estas pedras, desde a catedral de Notre Dame até prédios públicos e particulares, conferindo à cidade seu aspecto tão peculiar. Com isso, as pedreiras subterrâneas se transformaram em um enorme sistema de túneis em forma de labirinto, que até hoje ninguém sabe ao certo o tamanho, mas que está na ordem de muitas dezenas de quilômetros. Assim, Paris se situa em cima de um enorme "oco", que já resultou algumas vezes no passado em desabamentos de quarteirões inteiros, deixando os túneis à céu aberto.


Filas gigantes todos os dias

Entrada para as Catacumbas


Lá pelo final do século 18, a cidade crescia em um ritmo vertiginoso, e seus muitos cemitérios ocupavam uma área imensa, causando problemas sanitários, já que as carcaças desenterradas para dar lugar à outras eram simplesmente jogadas perto dos muros, causando um insuportável fedor de carniça. Além disso, era cada vez mais necessário espaço para construir novos prédios, e os cemitérios eram um impedimento, pois além dos cemitérios de campo, cada igreja possuía também o seu próprio cemitério, e em Paris existe uma igreja em cada esquina. Assim, algum iluminado teve a boa ideia de matar dois coelhos: transferir 6 milhões de ossadas acumuladas em dois mil anos de história para dentro das pedreiras abandonadas, ao mesmo tempo que uma obra de manutenção do sistema de túneis, com a construção de pilastras de sustento, fosse levada a termo para evitar novos acidentes de desabamento.


Descida sinistra para chegar ao ossuário


Chegada ao portão do ossuário com o anúncio macabro: "Pare! É aqui o império da morte!

O resultado parece tão bizarro que hoje, todos os dias, os visitantes fazem filas gigantescas para conhecer esta macabra atração, em frente à insuspeita casinha verde de madeira, no meio do 14eme, que é a entrada dos pedreiras. Mas não é uma visita para qualquer um. Os túneis são escuros, úmidos, e o trajeto é enorme e repleto de sobe e desce.  A distância a ser percorrida é grande, e as ossadas não são cheirosas. Tem que ser realmente curioso ou amante da história para apreciar o passeio, mas a julgar pelos tamanhos das filas diárias muita gente é. Desde a primeira vez que ouvi falar das catacumbas, no programa "acredite se quiser", tive curiosidade de visitá-las, e finalmente consegui.


Placa filosófica no meio das caveiras: "Assim tudo passa sobre a terra, espírito, beleza, graças e talentos,
Tal qual uma flor que se dobra ao menor vento"

quarta-feira, 6 de março de 2013

Os Prédios Haussmann



Imagine se a Torre Eiffel, Notre Dame, o Louvre e os demais monumentos de Paris estivessem escondidos no meio de um monte de arranha céus, edifícios envidraçados, prédios-caixotes (edifícios de concreto armado, quadrados e burocráticos). Dificilmente a cidade teria a fama e o apelo que possui hoje. Isso porque, a verdadeira moldura da beleza da cidade são suas avenidas largas, seus parques, e os prédios em estilo haussmaniano. Eles são a verdadeira marca registrada de Paris, e a simples visão de um deles traz imediatamente o nome da cidade à mente.
Criados em meados do século 19 pelo prefeito Haussmann, como uma das medidas básicas de embelezamento e modernização à todo custo da capital francesa, levadas à cabo à pedido de Napoleão III.



Tudo aconteceu ao mesmo tempo: o alargamento e o embelezamento de avenidas, a extinção dos cortiços e dos velhos prédios caindo aos pedaços, a criação de monumentos e parques públicos às dezenas, e a expulsão da população de baixa renda para a periferia. Além de recriar Paris, (que até então tinha fama de insalubre, mal cheirosa e horrivel), o plano era torná-la também a mais bela cidade do mundo, arejada, agradável e dramática. O imperador, sobrinho de Bonaparte, queria ainda extinguir de vez a possibilidade de revoluções populares, muito comuns até então, se beneficiarem de ruelas e pequenos edifícios para acartelamento e barricadas.
Para isso, Haussmann criou a solução das "ruas-parede". Uma fileira de prédios geminados, muitas vezes com o mesmo gabarito, que ocupasse toda a quadra, sem vielas ou cortiços no meio. Como o objetivo era também embelezar a cidade, todos teriam uma fachada sóbria e elegante, longas janelas de pequenos balcões, e com o ultimo andar duplo reservado para os mais ricos, com telhados dotado de janelas que se abriam em meio ao indefectível telhado de ardósia ou de metal. Estava criado um estilo clássico que passou a ser a cara da cidade que todos amamos.



Até hoje o estilo é o modelo para a construção de muitos prédios da cidade, mais ou menos fiéis ao modelo clássico. Muito imitado em outros lugares, dentro e fora da França, o estilo não agradou muito à princípio, pois as pessoas reclamavam da uniformização e da impressão de estarem "sufocadas pelos prédios". Hoje os parisienses amam e nem cogitam a possibilidade de viver sem eles. Napoleão III e suas reformas definiram o que é a cidade de Paris até hoje.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Paris Nazista

Qualquer um que me conheça um pouquinho sabe que sou tarado pela história da segunda guerra mundial. Já peregrinei anteriormente por alguns importantes teatros de guerra, mas é aqui em Paris, a jóia mais preciosa usurpada por Hitler, (seu mimo, sua menina dos olhos, sua musa, seu orgulho maior de conquista), que me deparo constantemente com locais imortalizados em fotos e episódios do conflito, e que sempre me causam uma sensação histórica forte. Paris não foi nem de longe o teatro mais violento da guerra, mas mesmo assim Hitler tinha um ciúme doentio dela, tanto que quis sua destruição completa após a retomada pelos aliados, fato aquele que, felizmente, não aconteceu. A resistência francesa, a França livre de De Gaulle e os aliados acabaram triunfando e hoje são tidos como heróis. Mas este incômodo jamais será apagado por aqui. Isso porque na França houve uma considerável parcela de simpatizantes e colaboradores nazistas, traidores dos ideais republicanos de liberdade e igualdade que nasceram exatamente neste país, antes de qualquer outro lugar no mundo. Nos anos do pós guerra, e por causa dela, a França seguiu um caminho completamente oposto ao nazismo, e os governos socialistas tentaram a todo custo se livrar desta mancha histórica de uma pequena parte de suas elites, punindo severamente os traidores, e mantendo a lembrança desta vergonhosa parte da história francesa viva, para que ela jamais seja esquecida e muito menos repetida.
A seguir, algumas fotos célebres, muito comuns em livros e reportagens sobre a ocupação de Paris, que tento repeti-las como exercício histórico a cada vez que passo pelos referidos locais.

* Pigalle, então distrito das prostitutas de Paris, bairro mais visitado pelos soldados alemães (os "Fritz") na época da ocupação, e hoje


 
                                     


Desfile de regimento Nazi pela Place de la Concorde, e o mesmo local hoje


 
 
 
Opéra de Paris, repleta de placas escritas em alemão, na época da ocupação, e hoje, na França livre
 
 
 
 
 
Soldados alemães posando em frente ao Arco de Napoleão, nos Jardins de tuilleries, e o mesmo local hoje.
 
 
 
 
 
Hitler todo pimpão com sua comitiva no Trocadero em 1941, com a Torre Eiffel ao fundo, e o mesmo local hoje, do povo.
 
 
 
 
 
Cadáveres de partisans exumados nos jardins do Palais Luxembourgo, hoje um lindo e pacato parque público onde as crianças brincam
 
 
 
 
 
Soldados alemães ("Fritz") passeando em frente à Catedral Notre Dame de Paris, e o mesmo local hoje, repleto de turistas
 
 
 
 
Crianças judias sendo conduzidas para campos de concentração e extermínio na época da ocupação, e hoje, placas memoriais de lamento em reconhecimento e culpa do governo francês, fixados em muitas escolas e prédios públicos de Paris que ainda funcionam, e de onde as crianças foram levadas.
 
 
 
 
 
 
 
Batalha pela libertação de Paris, em 1944, com soldados posicionados em combate na Avenida Kleber, onde hoje se situa a agência o Banco do Brasil de Paris, bem colado na Praça Etoile (atualmente Praça Charles de Gaulle), e hoje, o local já livre dos cadáveres espalhados no meio da rua.
 
 
 
 
 
 
Rue Rivoli, uma das mais célebres de Paris, bem ao lado do Louvre, na época da ocupação ostentando a suástica nazista, e hoje em dia
 
 
 
 
 
Sede do Parlamento francês, a Assembléia nacional, antigo Palácio Bourbon, na época da ocupação, e hoje em dia
 
 
 
 
 
 
 Finalmente, o desfile triunfal de De Gaulle no Champs Elysées após a liberação da cidade, e o mesmo cenário hoje
 
 
 


 
 
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