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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fontainebleau




Foi muito boa a visita no domingo passado ao impressionante Château de Fontainebleau, na cidade do mesmo nome, há 60 Km de Paris, direção sul. A cidade gira em torno do antigo e gigantesco Château, que tem quase mil anos de história, e foi sendo aumentado gradualmente, à partir de um modesto castelinho medieval, até virar uma espécie de cidadela. Os jardins são espetaculares, para mim a maior atração, e estavam lotados de gente fazendo pic nic, inclusive nós. Para completar, o museu, que exibe relíquias, quadros e mobílias acumuladas ao longo dos anos, neste castelo onde nasceram e viveram muitos reis da França, e o qual Napoleão apelidou a "verdadeira morada dos nobres". Graças ao amor de Bonaparte pelo château, esta é a única propriedade da monarquia que permaneceu intacta até hoje, e não pilhada após a revolução. 


Uma pequena parte dos Jardins, que dão para a Floresta de Fontainebleau


Tiramos o dia para ir, mas valeu muito a pena. A cidade também é linda, e fica colada ao Château, que é tão grande que nem cabe em uma única foto, mesmo panorâmica. Hoje em dia, muitos entusiastas também vão para passar o dia explorando a Floresta de Fontainebleau, uma enorme reserva que oficialmente pertence ao Château. Assim, uma boa parte dos passageiros do trem que vem de Paris descem uma estação antes do Château e vêm andando calmamente pela floresta, completando o passeio nos jardins do palácio. 



Uma das muitas fachadas do château






Detalhe do Museu


A Simpática "ala dos Ministros"

No Museu está exposto o traje mais célebre de Bonaparte (que por sinal era um sujeito muito pequenininho, do tamanho de uma criança), e seu indefectível chapéu com o emblema tricolor, a peça mais cobiçada  da coleção do museu.
Jardim de Diana, um jardin "menor", nos fundos do château


Prédio da prefeitura de Fontainebleau, na av principal da cidade.


Detalhe do lago azul turquesa


(Clique nas fotos se desejar ampliá-las)

domingo, 10 de março de 2013

Promenade plantée e Viaduc des Arts




Um dos melhores passeios a pé que fiz até agora aqui em Paris foi o caminho através da Promenade plantée, nome que pode ser traduzido livremente como "passeio plantado", e que é também uma sensacional solução de urbanismo: uma via para os pedestres passearem que é totalmente verde do início ao fim, e liga a Praça da Bastilha, que fica no centrão do centrão de Paris, até o nosso parque do coração, Bois de Vincennes. Esta via é uma das coisas incríveis que a cidade oferece, mas que infelizmente acaba passando batido dos olhos dos turistas.


Viaduc des Arts, um belo parque suspenso entre os prédios


Depois que fiz este passeio a cidade subiu ainda mais no meu conceito, pois sempre admirei a idéia da muito propagada High line, um parque suspenso que existe há poucos anos em Nova York, construido sobre uma linha de trem desativada. Porém, eu não sabia que a via americana foi inspirada (copiada) da idéia original parisiense, que já existia há mais de 10 anos antes e é três vezes maior.

Antiga via férrea que hoje é o Viaduc des Arts


 A partir da Bastilha, a Promenade se inicia no Viaduc des Arts, uma passarela construída no trajeto de um antigo viaduto ferroviário que fazia parte da extinta  linha Bastille - Vincennes, cujo trajeto é até hoje a base da promenade. Após ser desativado, o lugar ficou ocioso por uma década, abandonado e poluindo visualmente a cidade, até que alguém teve a idéia de criar um agradável parque suspenso. Os arcos do viaduto foram convertidos em ateliers de artesanato, daí seu nome "Viaduc des arts". Enquanto a High line americana se limita ao parque suspenso, a promenade plantée se continua por entre demais áreas verdes, até que se chegue ao Parque.


Os ateliers sob o Viaduc des arts  




Passarela sob o parque de Reuilly


Na extremidade do viaduc oposta à Bastilha a via segue através de uma bela passarela que atravessa o Jardin de Reuilly, área verde muito bem tratada que costumava ser os jardins da residência dos reis merovíngios, dinastia que iniciou a criação de um reino que viria a se tornar um dia a França, lá pelos início da idade média. Aproveitando-se da revitalização da área, belos condomínios foram construídos ao redor do jardim. A via prossegue pela Allée Vivaldi (alameda Vivaldi), cheia de cafés e "restôs" (como eles chamam restaurante por aqui) e também onde se encontra totalmente preservada como centro cultural a antiga estação de trens de Reuilly.
Um túnel ferroviário desativado liga a alameda ao resto da via, que após passar pela praça Félix Éboule, conduz o pedestre finalmente até o enorme parque de Vincennes. Uma beleza de passeio.


Antiga estação de Reuilly, hoje centro cultural

AlléeVivaldi

quinta-feira, 7 de março de 2013

Chantilly





Chantilly é uma bela cidadezinha na região da Picardia, à 40 km de Paris, na direção norte. O lugar é muito lindo e parece "cidade de boneca", sendo o famoso château (castelo) de mesmo nome a sua principal atração. Além disso a cidade possui a fama de criadora de cavalos de corrida, e por isso abriga o museu do cavalo e um hipódromo que sedia tradicionais grandes prêmios. Foi lá que surgiu, obviamente, o creme de Chantilly. É uma cidade dormitório, pois a maioria das pessoas trabalha em Paris, porém o fluxo reverso é bem maior, pois muitos turistas agregam uma visita do château aos planos de viagem, quando visitam Paris.

Estação ferroviária de Chantilly

O Château de Chantilly (pronuncia-se chanti-í) é realmente impressionante, e tem origem à partir de uma fortaleza medieval, e foi sendo aumentado ao longo do tempo, quando pertenceu à família Condé. Hoje funciona como um museu, que guarda as obras de arte da coleção particular dos Condé, que inclui 3 quadros de Rafael (é o único museu do mundo com 3 quadros de Rafael), mas também quadros de Eugene de la Croix e outros nomes. Possui salas finamente decoradas com mobília de época e até mesmo mosaicos romanos originais, retirados de sítios arqueológicos na Itália, e transportados e refeitos no chão e no batente de uma das laleiras por ordem dos ricos Condé.


Detalhe da sala dos quadros, onde a família ia fazer a digestão olhando obras da renascença

Os jardins do château são gigantescos, com um lago enorme e até mesmo uma floresta própria, habitada por cervos e outros animais da fauna temperada. O lugar pertence à iniciativa privada (a entrada é paga), e seus jardins e instalações podem ser locados para eventos privados. No dia que fomos uma modelo japonesa magrela estava lá congelando pelos jardins, de vestidinho de pouco pano, para um ensaio fotográfico. Deu até pena. Haviam também noivas tirando as tradicionais fotos de bodas, inclusive uma com um super cafona vestido roxo. O lugar é muito procurado por milionários que querem se casar no cenário de "conto de fadas". Inclusive um rapaz de Bento Ribeiro se casou lá, o Ronaldinho fofômeno, mas seu conto de fadas durou apenas 4 meses.


Centro da cidade

Um lindo Châtelet (palacete) particular, no centro da vila

Em Chantilly, padaria é "artisan boulanger", pois na França pão é coisa muito séria ..


(Clique nas fotos se desejar ampliá-las)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Museus na faixa - IV




O Petit Palais (Pequeno palácio) é um edifício e museu de entada franca que funciona dentro do magnífico prédio com o mesmo nome, inaugurado em 1900 para a exposição universal de Paris, em frente ao Grand Palais. O prédio em si já é uma beleza, e costuma ser incluído nos circuitos turísticos apenas como atração a ser vista "de fora", por sua localização espetacular, entre o Champs Elysées e o rio Sena. O edifício, mantido pela prefeitura de Paris, abriga uma impressionante coleção de obras, que não fazem feio frente aos seus primos mais badalados, como o Louvre e o Museu d'Orsay, por exemplo. Na verdade o museu recebe os "excedentes" de todos os outros museus da prefeitura, o que explica ser tão eclético.

Artefatos de louça da corte de Luis XV - bibelôs importados da Austria

Já fomos duas vezes nele, tamanha a quantidade de obras disponíveis, o que nos obrigou a dividir a visita em duas partes, para não termos uma overdose de informação. O café do Museu (Café aqui na frança é um termo genérico não apenas para o estabelecimento que chamamos de café no Brasil, mas também um restaurante e lanchonete) é um dos mais bonitos, de frente para o jardim interno, tranquilo, e surpreendentemente não caro - já que não há nada baraaato de fato por aqui).

Detalhe dos lindos jardins internos

O museu nunca tem fila na porta quando passamos em frente (e passamos bastante, porque ele fica "no caminho"), e acho que poucos turistas de fato sabem da existência do museu, ou se sabem não arrumam tempo, em meio à tantas atrações "maiores" de Paris, para render uma visita, e poder admirar desde esculturas e artefatos da antiguidade, idade média, pinturas de todos os períodos (exceto pinturas modernistas), obras bizantinas; até o próprio prédio em si, espetacular, com seus lindos adornos e magníficos jardins. O Petit Palais só tem de pequeno o nome .. (obs : apelidamos nosso apartamento de Petit Palais só de brincadeira, de tanto que gostamos do original, só que nosso ap é realmente petit)

Hall da entrada

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Museus na faixa - Parte III



                          


Situado no VII arrondissement de Paris, ao lado do Hôtel des Invalides, encontra-se o Hôtel Biron. Construído por volta de 1730, a princípio para um fabricante de perucas, foi vendido nos anos subsequentes e serviu de palácio para duques, condes e marechais que aos poucos iam acrescentando melhorias e remodelações. Foi considerado demodé logo após a Revolução Francesa devido ao desenvolvimento e modernização de Paris, e passou um período servindo de lugar para festas públicas e feiras abertas.
Durante o reinado de Napoleão, o legado Papal e a Sociedade do Sagrado Coração de Jesus, instalaram-se no palácio por muitos anos. No entanto, após a separação da igreja do estado, em torno de 1905, o prédio caiu em abandono e esteve para ser demolido e substituído por um edifício de apartamentos.





Por sorte, vários artistas arrendaram algumas salas, dentre esses Auguste Rodin, que acabou por transformá-las em estúdio de trabalho. Já no auge de sua fama começou a preparar o Hôtel Biron para convertê-lo no museu de sua obra. E desde de 1919 passou a ser o Museu Rodin que além de guardar as principais obras do escultor ainda conta com obras de outros autores - presentes recebidos por Rodin de alguns amigos, como Munch, Van Gogh, Monet, dentre outros.

Afoito e entusiasmado, Rodin aprofundou-se no estudo da anatomia humana por admirar sobremaneira seus detalhes e formas, o que o fez ser considerado um impressionista.
Algumas de suas mais célebres obras estão espalhadas e lindamente integradas nos jardins do museu. Le PenseurO Pensador, sua mais conhecida escultura, apresentada ao público em 1904, possui mais de vinte réplicas espalhadas pelo mundo. O original encontra-se logo na entrada dos jardins e impressiona por seu tamanho e minúcias.Tornou-se propriedade da cidade de Paris por conta da contribuição organizada de admiradores de Rodin, e em 1906 foi colocada em frente ao Panteão, voltando ao museu alguns anos depois. 






Ainda nos jardins a famosa Porta do Inferno com temas extraídos da Divina Comédia de Dante Alighieri , na qual Rodin trabalhou febrilmente durante anos. Feita em bronze com mais ou menos 180 figuras e algumas delas reproduzidas em tamanho maior como esculturas independentes, entre elas, O Beijo, O Pensador e As Três Sombras






Nos aposentos internos do museu podemos perceber o tamanho de seu legado. Muitas obras  não puderam ser fotografadas. O Beijo, esculpido no mármore em tamanho natural comove pela sutileza e sensibilidade de Rodin, músculos, tendões e expressões fazem a obra viva. A mão de Deus, na realidade, paradoxalmente a mão do escultor em plena atividade, ou seja, no momento da criação, nasce do mármore bruto e como muitas de suas obras baseia-se no conceito "non finito". Bustos de muitos célebres personagens como Balzac, Victor Hugo e Camille Claudel também fazem parte do acervo.
Rodin viveu com Claudel um caso de amor e ódio. O afastamento profissional e amoroso foi marcado pelas esculturas "La Valse" e "La Petite Chatelaine" que ela esculpiu no afã de separar definitivamente os vínculos que os unia. 





Camille era visceral e passional, acreditava que sua escultura devia surgir do esforço árduo do trabalho individual, e ser valorizada por isso. Não aceitava o fato de Rodin ter transformado seu estúdio em uma grande fábrica, repleta de funcionários, e ser seduzido pelo capitalismo. Caminhou ao lado de Rodin até perceber o que, de fato, era considerada, uma aprendiz (recebia salário como tal) e mais uma, dentre tantas amantes que passaram na vida do escultor.
Devido a rejeição de Rodin (casado com Rose) a eterna comparação de sua obra com o mesmo, e o peso que sentia de viver a sua sombra. Acabou culminando com a insanidade e internação de Camille durante 30 anos em um sanatório onde morreu, solitária, amarrada e amordaçada.





Vale ressaltar que a gratuidade do museu só foi possível pois a cada primeiro domingo do mês quase todos os museus de Paris têm entrada gratuita. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

10 Fotos

( Clique na imagem se quiser ampliar )

1 - Típico Quiosque de guloseimas Parisiense




2 - Pista de patinação no gelo ao ar livre, em frente ao Hôtel de Ville (Prefeitura de Paris)


 
 
3 - Largo central do Marais


 
 
 
4 - Igreja de Saint Sulpice




5 - Neve sobre o Lac Daumesnil


 
 
 
6 - Torre Eiffel e Senna no final da tarde
 
 
 
 
 
7 - Ponte Alexandre II
 
 
 


8 - Ópera de Paris





9 - Arco de Napoleão e Louvre, sob a neve





10 - Passage do Prado, bem escondida em Faubourg Saint-Denis, e reduto dos indianos aqui em Paris, com muitas lojas de roupas, armarinhos, salões de beleza e restaurantes, tudo tipicamente indiano, com aquele cheiro de curry no ar ...




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Château de Vincennes



No bairro de Vincennes, a uns 20 minutos de caminhada daqui de Saint-mandé, fica o Château de Vincennes, uma enorme propriedade que pertencia à família real francesa nos anos anteriores à revolução. A história do lugar começou no século 10, como um chalé de caça dos reis, que saiam da residência oficial (Louvre) e "acampavam" no meio da floresta, caçando nos fins de semana. Ao longo de 10 gerações a residência foi crescendo ao ponto de se tornar, mais do que um castelo, mas uma verdadeira cidadela fortificada, com fosso, ponte elevadiça e torreão, para proteger os reis em caso de invasão. Nos limites da cidadela chegaram a viver (contando família real, corte, empregados e guarda armada) milhares de pessoas.




Muitos reis da França nasceram ou morreram nesta propriedade. O próprio São Luis viveu ali. Uma capela magnífica, a  Sainte-Chapelle de Vincennes, foi erguida em 1379 para servir de depósito para as "relíquias" trazidas da terra santa na época das cruzadas, e é o prédio mais bonito do complexo. O torreão, que servia de ultimo recurso de segurança cabível para o rei da França, é o mais alto da Europa. Existem ainda torres de observação, um pavilhão para o rei e outro para a rainha, arcos gigantescos, paiol, etc ...



Mais recentemente, na segunda guerra mundial, o castelo serviu de sede para os regimentos alemães banidos da Normandia, que semanas mais tarde seriam definitivamente depostos pelas forças de libertação aliadas. Pelo fato do château ter se tornado um dos símbolos da liberação francesa dos nazistas, o general De Gaulle, então presidente da república, e no entusiasmo do pós guerra, cogitou em levar toda a sede do governo para lá, mas logo a idéia seria bandonada. Hoje funcionam em alguns pavilhões secretarias de órgãos públicos franceses.



(Clique nas fotos se quiser ampliá-las)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Museus na faixa - Parte II


Continuando nossos passeios pelos museus que ainda não conhecíamos, a visita de hoje foi bem rica e especial. No quartier Marais, escondidinha na linda Place de Vosges, conhecemos o museu  Maison de Victor Hugo. Antes de entrarmos na casa do célebre autor de  Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, aproveitamos a bela praça. Tiramos fotos e admiramos um pouquinho o que Paris tem de melhor, o apreço por seus monumentos, prédios e história.



Muito influenciado por Chateaubriand, Victor Hugo foi uma figura famosa da escola romântica francesa no começo do século XIX e, posteriormente, influenciou grandes nomes como Albert Camus e Fiódor Dostoiévski.



Seu apartamento, que se transformou em museu a partir de 1903, conta com um acervo amealhado de alguns outros lugares que ele morou, arrumados de modo a contar sua história através de fotos, pinturas, cartas e poemas. Em cada aposento uma surpresa, o busto de Victor Hugo esculpido em mármore por Rodin e o Salon Chinois foi o que mais nos impressionou.



Ao final, chegamos no quarto de Hugo, com ares de excentricidade: paredes, mobília e lençóis vermelhos. Possivelmente uma menção a sua libertina vida pregressa - após sua morte as prostitutas parisienses ficaram de luto. E, claro, a sua escrivaninha, lugar onde por muitos anos ele escreveu em pé suas inspirações.



Bom, para tornar o passeio ainda mais incrível depois do museu pudemos apreciar a infinidade de galerias de artes nas lojas do complexo de prédios ao redor da praça. Verdadeiros museus a céu aberto com obras lindas e arrojadas da arte moderna e contemporânea. 





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