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terça-feira, 12 de março de 2013

Tempête de Neige *




* (Tempestade de neve)

Restam 9 dias de inverno oficialmente pela frente, e no ultimo sábado, a Primavera já começava a dar sinais. A temperatura disparou para até 16, 17 graus de máxima. Os arbustos começam a brotar folhinhas verdes. Algumas flores já desabrochavam pelo chão, e o povo começou a sair de casa em maior número, até mesmo de camisa de malha. No parque começaram os aluguéis de bicicleta, cavalos e barcos. Os kioskes, que ficaram fechados o inverno todo, abriram todos os dias, vendendo churros, algodão doce (que aqui se chama barb à papa - barba do papai), balões. As pessoas vieram para passar o dia, fazer pic-nic, dormir na grama, com cachorro, violão, alimentar os gansos e pavões, tomando banho de sol como se estivessem em copacabana. Primavera aqui eles esperam com paciência, já que associam à coisas boas. Assim como o ano começa no Brasil após o carnaval, por aqui o ano começa após o início da primavera. A própria palavra em francês, "printemps", quer dizer primeiros tempos.

Sábado : Dia com cara de Primavera e as pessoas fazendo pic-nic e estiradas no sol


Terça Feira no mesmo local: nenhuma alma viva

Porém, contrariando todas as expectativas, a nova semana trouxe uma brutal frente fria que deixou Paris com cara de Sibéria. Na segunda a temperatura começou a despencar, e a partir da noite começou uma neve intensa. Hoje de manhã tentei abrir a janela mas não consegui, estava congelada. Já neva há quase 24hs forte e sem parar, além do vento que corta sem dó. São 15 cm de neve, o que é muita coisa para a região. A sensação térmica é de - 14 graus, a luz é muito pouca, e muitas escolas não abriram, boa parte dos trens RER (das regiões da grande Paris) pararam, assim como TGVs. Muitas áreas estão sem luz e comunicação. Os céticos do aquecimento global lembram toda hora na rádio e na TV que não neva com esse volume em Paris há mais de 40 anos. O episódio já foi apelidado de "neige exceptionnelle" pela mídia daqui, que ama falar sobre meteorologia sem parar.

Sábado : primeiras flores de Primavera prosperando

Terça feira: flores viraram picolé

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Saint - Mandé


Prefeitura e seus belos jardins, no centro da vila

Saint - Mandé é o quartier (bairro) no qual moramos, e foi por acaso que viemos parar aqui: através do site da imobiliaria que alugamos o apartamento no Brasil ainda, e uma rápida pesquisa na internet e no Google maps. Saint Mandé é praticamente um apêndice do 12eme distrito de Paris, mas com prefeitura própria e cara de bairro. Saint Mandé está a curta distância do centro, é servido por duas estações do metro (linhas 1 e 8, as duas com ótimos trajetos), e através de caminhada chegamos em vários pontos chave da cidade. Ao contrário do centrão de Paris, aqui não tem barulheira, confusão de trânsito, preços exorbitantes para explorar turistas, moradores de rua e nem eventuais maloqueiros circulando.


Vista de nossa janela

Esquina de nossa rua com a Av de Gaulle (sempre ele !), a mais importante da vila

 
O nome da vila vem de um santo irlandês do 5o século, mais ou menos mítico e hoje não reconhecido pela igreja, cuja vida apostólica teria incluido a bretanha (região na costa oeste da França). Originalmente chamado de Maudez, do celta "servidor de Deus", seu nome foi posteriormente afrancesado para Mandé. Suas pretensas relíquias foram trazidas para uma igrejinha local na idade média, no século 10. Ao torno da igrejinha foi se desenvolvendo a vila ao longo destes mil anos de existência, que é a idade oficial de Saint - Mandé, cujo nome jamais foi mudado. Esperamos ficar por aqui depois que o nosso contrato de locação acabar, porque já adoramos a tranquilidade e as comodidades, a fartura de transporte e comércio, o jeito de cidade pequena, a pouca distância do centro, e o enorme parque que é o verdadeiro quintal da vila..

Igreja Notre Dame de Saint - Mandé


A estátua de Atena na praça de Porte Dorée, limite com o 12eme distrito, e local de nossa estação de metro

Parque e lago Dausmenil, na floresta de Vincennes, o "jardim" de Saint Mandé

(Clique nas fotos se quiser ampliá-las)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Museus na faixa - Parte III



                          


Situado no VII arrondissement de Paris, ao lado do Hôtel des Invalides, encontra-se o Hôtel Biron. Construído por volta de 1730, a princípio para um fabricante de perucas, foi vendido nos anos subsequentes e serviu de palácio para duques, condes e marechais que aos poucos iam acrescentando melhorias e remodelações. Foi considerado demodé logo após a Revolução Francesa devido ao desenvolvimento e modernização de Paris, e passou um período servindo de lugar para festas públicas e feiras abertas.
Durante o reinado de Napoleão, o legado Papal e a Sociedade do Sagrado Coração de Jesus, instalaram-se no palácio por muitos anos. No entanto, após a separação da igreja do estado, em torno de 1905, o prédio caiu em abandono e esteve para ser demolido e substituído por um edifício de apartamentos.





Por sorte, vários artistas arrendaram algumas salas, dentre esses Auguste Rodin, que acabou por transformá-las em estúdio de trabalho. Já no auge de sua fama começou a preparar o Hôtel Biron para convertê-lo no museu de sua obra. E desde de 1919 passou a ser o Museu Rodin que além de guardar as principais obras do escultor ainda conta com obras de outros autores - presentes recebidos por Rodin de alguns amigos, como Munch, Van Gogh, Monet, dentre outros.

Afoito e entusiasmado, Rodin aprofundou-se no estudo da anatomia humana por admirar sobremaneira seus detalhes e formas, o que o fez ser considerado um impressionista.
Algumas de suas mais célebres obras estão espalhadas e lindamente integradas nos jardins do museu. Le PenseurO Pensador, sua mais conhecida escultura, apresentada ao público em 1904, possui mais de vinte réplicas espalhadas pelo mundo. O original encontra-se logo na entrada dos jardins e impressiona por seu tamanho e minúcias.Tornou-se propriedade da cidade de Paris por conta da contribuição organizada de admiradores de Rodin, e em 1906 foi colocada em frente ao Panteão, voltando ao museu alguns anos depois. 






Ainda nos jardins a famosa Porta do Inferno com temas extraídos da Divina Comédia de Dante Alighieri , na qual Rodin trabalhou febrilmente durante anos. Feita em bronze com mais ou menos 180 figuras e algumas delas reproduzidas em tamanho maior como esculturas independentes, entre elas, O Beijo, O Pensador e As Três Sombras






Nos aposentos internos do museu podemos perceber o tamanho de seu legado. Muitas obras  não puderam ser fotografadas. O Beijo, esculpido no mármore em tamanho natural comove pela sutileza e sensibilidade de Rodin, músculos, tendões e expressões fazem a obra viva. A mão de Deus, na realidade, paradoxalmente a mão do escultor em plena atividade, ou seja, no momento da criação, nasce do mármore bruto e como muitas de suas obras baseia-se no conceito "non finito". Bustos de muitos célebres personagens como Balzac, Victor Hugo e Camille Claudel também fazem parte do acervo.
Rodin viveu com Claudel um caso de amor e ódio. O afastamento profissional e amoroso foi marcado pelas esculturas "La Valse" e "La Petite Chatelaine" que ela esculpiu no afã de separar definitivamente os vínculos que os unia. 





Camille era visceral e passional, acreditava que sua escultura devia surgir do esforço árduo do trabalho individual, e ser valorizada por isso. Não aceitava o fato de Rodin ter transformado seu estúdio em uma grande fábrica, repleta de funcionários, e ser seduzido pelo capitalismo. Caminhou ao lado de Rodin até perceber o que, de fato, era considerada, uma aprendiz (recebia salário como tal) e mais uma, dentre tantas amantes que passaram na vida do escultor.
Devido a rejeição de Rodin (casado com Rose) a eterna comparação de sua obra com o mesmo, e o peso que sentia de viver a sua sombra. Acabou culminando com a insanidade e internação de Camille durante 30 anos em um sanatório onde morreu, solitária, amarrada e amordaçada.





Vale ressaltar que a gratuidade do museu só foi possível pois a cada primeiro domingo do mês quase todos os museus de Paris têm entrada gratuita. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Domingo no Parque



Demos a sorte de alugar um apartamento coladinho à Bois de Vincennes (floresta de Vincenne), uma enorme área verde, que o faz ser o maior parque urbano do mundo, sendo três vezes maior inclusive do que o Central Park, em Nova York. O lugar é literalmente uma floresta, e é tão grande que chega a ser mapeado. Moramos junto ao parque urbano propriamente dito, isto é, onde está o lago dausmenil, a pista de corrida, as trilhas de caminhada e os pontos pitorescos. Mais para a região central existe um circo, um quartel da polícia, um zooloógico e até um hipódromo. Mais para o leste é um matão mesmo. Inicialmente o lugar era uma floresta privada de caça para os reis da França pré revolução. A corte vinha para cá (existe uma "cabana" real de caça preservada ainda hoje, que na verdade é um castelo gigante no meio do parque), caçavam raposas, etc e depois voltavam para o Louvre. Após a revolução francesa o espaço tornou-se público, e era ali que Napoleão realizava exercícios militares com seus regimentos. Finalmente com Napoleão terceiro o lugar virou um parque urbano, com trilhas e paisagismo.


 
No domingo o lugar fica lotado. Começamos a correr aqui já no sábado, e por causa do frio achamos que seríamos dois solitários, mas, pelo contrário, uma verdadeira multidão de atletas, ciclistas, corredores de rua, arrastadores de corpo (como eu), etc, se juntam em suas pistas, apagando de vez a imagem preconceituosa que eu fazia do parisiense fumante e sedentário. Há também outras atividades como Tai chi, ginástica holistica, ginástica de idosos, caminhada de grupos, pesca, artes marciais, e como não podia deixar de ser, hordas de cães, que continuam sendo os donos de Paris (qualquer dia escrevo aqui sobre a cachorrada parisiense)
 
 
 
 
 
De acordo com os habitantes locais, o lugar é absolutamente seguro, inclusive de noite, onde ficam ainda corredores em atividade, cachorros e andarilhos, pelo menos na área "família" do parque. Mais para o meião do parque, no matão, cujo acesso se dá por auto pistas ( à partir de Joinville), quem toma conta da região na madrugada são as mulheres-damas e os travecos, mas elas não fazem mal à ninguém, exceto ao Ronaldinho ..



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